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Tribuna dos Fadistas
Poema e voz de Euclides Cavaco



Tu Lisboa
Que sempre foste e ainda és
Proscénio do fado
Viste com glória aplaudir
Egrégios vultos do fado
Grandes vozes do passado
Que viste também partir
Num triste adeus magoado.

E este povo que os ama
Guarda hoje comovido
A letras de oiro e de fama
O seu nome enternecido
Na nossa história do fado.

Lembramos com nostalgia
Do fado a nobre rainha
A nossa saudosa Amália
E com todo o esplendor
Recordamos a Severa
E o Marceneiro que era
Do fado um grande Senhor.

A linda voz de Lucília
Fadista de corpo inteiro
O Maurício e o Farinha
E a nossa Hermínia que tinha
No fado lugar cimeiro.

Prestamos o nosso preito
Às vozes que admiramos
De Manuel de Almeida
E notável Carlos Ramos
Nosso sentido respeito
Ao Tony lá no Painel
À Júlia Peres e Tristão
E prò Vasco Rafael
Fica a nossa gratidão.

Também um justo tributo
Aos nomes que aqui não estão
Castiças vozes do fado
Grandes estros do passado
E que o deixaram de luto
Fica o póstumo obrigado
E a mais honrosa menção.

Eu rendo neste poema
Minha singela homenagem
Aos fadistas que partiram
E que o fado difundiram
Com a sua voz suprema
E toda a dignidade.

De vós não morre a memória
Permanece a fausta imagem
Da vossa fama e glória
Ficará sempre a saudade!...

Euclides Cavaco