Noites de Lisboa 
Poema e voz de Euclides Cavaco


Quando a noite cai sobre a cidade
Lisboa não se queda adormecida
Acende-se uma chama de saudade
Que vem dar à noite ainda mais vida.

Nos becos os velhinhos candeeiros
Só se apagam na leda madrugada
Parecem quais eternos sinaleiros
A manter Lisboa sempre acordada.

Há sempre a qualquer hora nas vielas
Rufias que chamam à noite sua
Que são na noite escura sentinelas
Ou sombras dando vida à luz da Lua.

A noite no tempo pula e avança
Altiva com seu âmago acordado
Teimando em ficar sempre criança
P'ra quem gosta de nela ouvir o fado !...


Euclides Cavaco