LÁGRIMAS CALADAS
Poema e voz de Euclides Cavaco

Meus olhos são de lágrimas nascentes
Que frias correm sempre em constante lamento
Na sua angústia como se fossem correntes
Que só convergem junto ao mar do sofrimento!...

Ocultas lágrimas em silêncio derramadas
Dissimuladas em sigilo e sem guarida
São o refúgio das minhas mágoas caladas
Que a alma sente das tristes penas da vida...

E cada lágrima deixa a marca amargurada
Dum suplício que não se vê e só se sente
Feito infortúnio da sorte desventurada...

Amarga é a dolência gotejada
No tácito pranto de solidão plangente
Presente na dor duma lágrima calada!...
  
Euclides Cavaco