Amália…a Voz do Fado


Amália !…
Nome de voz sublime,
Para nós quase sagrado,
Que com enlevo se exprime,
Mesmo em verso que não rime,
É nome que sabe a fado…

Nome pequeno, talvez,
Mas de enorme dimensão,
Tão grande como a paixão
E a perene gratidão,
Deste povo português.

Amália !…
Foi imperatriz,
Da Canção do seu País,
Que levou pra tanto lado.
Foi Diva, Dona e Senhora,
Talentosa detentora,
Dessa voz que o povo adora
E fez rainha do fado.

Amália !…
Dizem que não foste mãe,
Mas são tantos os teus filhos,
Deixados na tua voz !
Fados…
Fados, são filhos também.
Foste tu que os geraste
E com carinho legaste,
Por herança a todos nós.

São muitos os filhos teus
Que embalaste a cantar:
Ai Mouraria… E Foi Deus,
O Barco Negro e O Mar.

Confesso… E Sabe-se Lá,
O Fado das Tamanquinhas,
Fado Malhoa e Timpanas
E a Casa da Mariquinhas !…

Ciúme é chama maldita,
Lisboa não sejas Francesa,
O Namorico da Rita
E uma Casa Portuguesa !…

Ó Amália,
Com quem as ruas de Lisboa
E as escondidas vielas
De Alfama e Madragoa,
Segredavam os mistérios da Cidade.
Sem ti já não têm alegria.
Agora
Expressam apenas melancolia,
De semblante mudado,
Por nelas existir fado,
Resta uma eterna saudade !…

Ó Amália,
Deixaste de luto o fado
E com ele a Pátria inteira,
Este Povo que te ama
E te chora consternado !…
E as guitarras !?…
Essas tuas companheiras,
Dos momentos de glória,
Trinam agora dolentes,
A soluçar comoventes,
Carpindo em tua memória !…

E num lamento sem fim,
Sofrem !…Pesarosas e sós,
Por verem calar assim,
Para sempre a tua voz.

Ó Amália ,
Suaviza a tristeza do teu Povo,
Roga ao Divino,
Que te deixe voltar de novo
Por quimérico Segundo,
Queriamos voltar a ver,
Esse teu sorriso,
Do tamanho do mundo.

Ó Amália,
Quão mélico para nós,
Seria ouvir tua voz,
Mesmo aí da eternidade.
Se cantar, não é pecado,
Implora à Divindade,
Esse prodígio Sagrado.

Mitiga a nossa saudade
E volta a cantar o fado !...

Euclides Cavaco