Aguarelas de Lisboa

Poema e voz de Euclides Cavaco

 

 Queria ser como a gaivota

Que de manhã sobrevoa

Toda feliz e sem rota

As colinas de Lisboa.

 

Queria ser como o ardina

Cuja voz bem cedo entoa

A imprensa matutina

Pelas ruas de Lisboa.

 

Queria ser como a varina

Que a sua venda apregoa

Sempre lesta e libertina

Pelos bairros de Lisboa.

 

Eu queria ser marinheiro

P’ra bem firme junto à proa

A bordo dum cacilheiro

Ver as docas de Lisboa.

 

Queria ser o Cristo Rei

Que lá do alto abençoa

Como patrono da grei

O céu da nossa Lisboa.

 

Queria ser como a guitarra

Para à noite acompanhar

O fado com toda a garra

Por quem o sabe cantar!...


Euclides Cavaco