Triste Realidade

Fome !...
Suplício tão negro e triste
De quem no mundo tem fome
E que hoje mesmo ‘inda existe

Vera imagem da miséria
Angústia real e séria
Que dentro bem fundo dói
Mágoa que a alma consome
E a vida aos poucos destrói ...

 

Fome!...
Flagelo dos nossos dias
Pungente em fragilidade
Pobre marginalizado
Aquele que é nosso irmão
Sofre de fome agonias
Estende a mão à caridade
Sem ter amor nem ter pão
Recorre à mendicidade
Sem justiça condenado
A cumprir o triste fado
Da vil discriminação !....

Fome!...
Verdade que causa dó
De quem no seu peito sente
A falta de humanidade
Cuja mera culpa é só
Não ter como a outra gente
O direito à igualdade.
Faminto e destroçado
Às vezes parece um bicho
Procurando a remexer
Pelos caixotes do lixo
Qualquer resto abandonado
P’ra poder sobreviver !...

Fome!...
Sina dum calado pranto
Será que Deus se esqueceu?
Ou não são eles seus filhos?
Porque os faz sofrer tanto?
Os sujeitou aos maus trilhos
E esta desdita lhes deu?

Porquê ? A Sociedade
E aquele que poder tem
Não ouve este meu recado?
Abrindo o seu coração
Mostrando fraternidade

Com justiça e afeição...
Pondo fim à atrocidade
Desta injúria que é pecado
E triste realidade !....


Autor: Euclides Cavaco