O Menino Pobre

Dedicado a todos os meninos a quem a infância não sorriu

Tinha caído a noite
E o menino pobre
Ainda inocente
Tinha passado todo o dia
Em companhia
Da mãe doente...

Faminto
E sem nada ter para comer
Tinha esperado o anoitecer
Receoso…
Cheio de ansiedade e apreensão
Para na noite se esconder
E mendigar
De alguém generoso
Apenas um pedaço de pão.

E o menino pobre
Cheio de vergonha
Acabrunhado e triste
E de face nada risonha
Lá vai com medo
Bater à porta
Duma casa abastada.

Pediu licença para entrar
Mas a mulher confortada
Sem sequer olhar
Diz num tom de ironia
Numa voz sarcástica
Avarenta e de desdém
Aqui não há esmola pra ninguém.

Mas o menino pobre
Tinha fome e queria comer
Pedindo apenas
Para ter
Um pedaço de pão...

Mas a mulher avarenta
Sem se levantar
Mesmo ali do seu lugar
Dá ordem ao cão
Que a correr de raivoso
Avança como um leão
E com violência
Atira o menino ao chão !…

E a chorar
O pobre menino,
Arremessado ao chão
Como se fosse um mariola
Levanta-se assustado
E foge do cão
Aterrorizado
Sem ter levado esmola...

E aquela avara mulher
A fome ao menino
Não matou
Mas antes
Sordidamente
O cão lhe açulou
Sem compaixão
Só porque o menino
Apenas mendigou
Um pedaço de pão !…


Autor: Euclides Cavaco