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O
Natal
Desperta
nas longas e
taciturnas noites
De
quem está ausente
Sentimentos
de doce convívio
Inebriados
pela lonjura que
os separa
Com
recordações de
amizades
inapagáveis
Que
por vezes acordam
tendências
recalcadas
Que
lhe ficaram dos
seus tempos de
infância
E
que lhe trazem à
lembrança
Memórias
da Pátria Mãe
Que
se dissimulam como
epílogo
Em
nostalgia e
saudade.

O
Natal
Reconcilia
instintos
adormecidos em
nós
Realça
a generosidade
E
tudo o que de bom
existe no ser
humano
Para
o palco da vida.
Estabelece
tréguas entre
inimigos
E
mimoseia até as
crianças
Que
não obstante a
sua candura
Conheceram
ralhos e
proibições
E
gestos
indiferentes.

O
Natal
É
o momento de
perdoar
ingratidões
inesperadas
Que
provocaram talvez
instintivamente
Injúrias
e profanações
Com
as quais o
instinto humano
Se
pretende
lógicamente
retaliar.

O
Natal
Sobrepõe-se
a estes pequenos
vitupérios
Que
passam como que
olvidados
Neste
teatro da vida
Acamuflados
entre os cânticos
natalícios
E
os cartões de
Boas Festas
Que
se penduram na
árvore de Natal
Ou
se expõem
visívelmente
Como
que atestar o
testemunho
De
amizades presentes.

O
Natal
Traz
consigo o Ano Novo
E
com ele renasce
contudo
A
esperança de
melhores dias
No
seguimento do
Natal da
fraternidade
Onde
a concórdia
apregoada nas
melodias de Natal
Parece
alimentar uma
esperança que
não morre
E
que inspira
perseverança nos
que nela acreditam.

O
Natal
É
também um
evocativo de
presentes
Que
bom seria
Se
o Pai Natal
trouxesse como
presente
Para
cada lar
português da
nossa Sociedade
Um
círio de Natal
Para
que nele fosse
ateada
A
chama viva da paz
e harmonia social
E
que nunca mais se
apagasse
Para
que essa chama
constante
De
concórdia e amor
recíproco
Fosse
o motivo dominante
de cada dia
A
fim de que cada
dia da nossa vida
Fosse
um dia de Natal
!...

Euclides
Cavaco
  
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