Apresentação do livro de poesia
PEDAÇOS DO MEU PAÍS
de Euclides Cavaco
no Clube Português de London, Canadá
por Avelino Teixeira.
Estou convicto, que irei ter dificuldade em encontrar palavras e adjectivos, no meu vocabulário, para poder descrever capazmente o autor Euclides Cavaco.
É que este Senhor, apesar de agir tão simplísticamente, nos seus contactos do dia a dia, com aqueles que mais frequentemente o rodeiam, é de facto uma pessoa de grande
capacidade intelectual e muito talento artístico, que eu, por muito que me esforce, não consigo descrevê-lo condignamente.
É de facto um grande prazer e, porque não dizê-lo, uma honra para mim, estar aqui na vossa presença, mas peço-vos que compreendam as minhas limitações.
Euclides Cavaco, nasceu no concelho de Mira, distrito de Coimbra, na década de 40. Era ainda muito jovem quando foi para Lisboa, aonde viveu e estudou.
Foi talvez por essa altura que começou a sonhar com a publicação de um livro, mas que devido à sua então condição económico-financeira, não lhe fora possível fazê-lo.
Na década de 60 partiu para Angola, onde procurou novos horizontes.
Foi naquela ex-Província Portuguesa que ele estagiou como locutor na Rádio Clube de Moçâmedes, estágio esse, que lhe viria a ser muito útil mais tarde, para uma carreira, que quem sabe, já se adivinhava.
Quando regressou a Lisboa, foi convidado a ensaiar um grupo cénico da Capital, funções que assumiu durante vários anos, levando à cena muitíssimas obras de teatro, que marcaram grande parte da sua vida.
Foi também em Lisboa, que participou em inúmeras actividades radiofónicas, nomeadamente nos tão apreciados e saudosos Serões para
Trabalhadores. Foi assídua a sua presença nas casas de fado, não só como apresentador do elenco, mas também para declamar os seus poemas.
Um dia, há já quase trinta anos, veio para o Canadá, fixando residência em London, onde concluiu o curso de
Administração e Gestão, obtendo o estatuto de Empresário, tornando-se assim numa figura muito conceituada nas sociedades
Portuguesa e Canadiana.
Desde o início da sua vida neste País, sempre dedicou grande parte dos seus momentos de lazer, às Artes, Televisão e Rádio. Inicialmente com o programa de televisão intitulado genericamente, "Nostalgia Portuguesa", seguindo-se depois,
o seu actual programa radiofónico, "Voz da Amizade", através do qual, tem divulgado a Língua e Cultura portuguesas, neste País onde vivemos.
O Senhor Gonçalo Batista Martins, escreveu no prefácio as seguintes palavras que passo a referir: Euclides Cavaco, tem sabido como ninguém, defender a Língua de Camões, em Terras de Côrte Real.
Deve ser do vosso conhecimento, que ele também o tem feito através de diversas rubricas de poesia, publicadas em jornais e revistas das Comunidades Portuguesas, bem como em Portugal.
Os poemas inseridos neste livro PEDAÇOS DO MEU PAÍS, que eu hoje tenho o privilégio de apresentar oficialmente neste Consulado, perante V. Exas,
no dizer do Autor: São uma transparência inequívoca, dos nossos valores
e uma exaltação a tudo aquilo que em essência representa a Pátria.
Estes poemas, têm origem, como disse o pastor Samuel Andrade, numa mente fértil e cintilante da qual brota uma mensagem, que é a expressão sentida de um coração, que só os poetas têm.
Neste trabalho poético, o Autor, evoca mil e um aspectos do quotidiano português.
Lembra as "camélias " do adro da casa onde nascera, não esquecendo as "Pedras da sua rua", que um dia ele pisara. Menciona os "Castelos e Moinhos de Portugal". Lembra as "Caravelas" que descobriram as Terras de Além Mar.
"Olha o Tejo" e parece ouvir ainda os "Pregões das varinas de Lisboa" e, recorda "Amália" que também por lá andou. Evoca "ESTE POVO QUE
NÓS SOMOS", mas depois interroga-se… afinal sem Deus, quem somos nós ?…
"As Ilhas dos Açores", são também tema para poema, assim como as preciosas pérolas, "Madeira e Porto Santo"… Ah! Mas "Coimbra" que ele tanto adora
e canta com todo o seu fulgor e convicção, para no final declamar:
Oh Coimbra dos monumentos,
Que viram séculos passar,
Ai se essas pedras velhinhas,
Histórias pudessem contar !…
Evoca com todo o fervor os poetas do seu País e recorda as noites fadistas referindo-se a Maria Severa.
Fala-nos de uma "Ânsia de Viver" e do " Tempo que não viveu" e diz-nos até, como é que é, "Ser Português", porque ninguém, minhas Senhoras e meus Senhores, melhor do que Euclides Cavaco, sabe manter o seu portuguesismo.
Avelino Teixeira